Yoga e menstruação (Parte 2)

No texto anterior  tratamos da prática para uma menstruação saudável. Neste texto abordaremos o período pós-menstrual, a menstruação intensa e a endometriose. Logo que a menstruação termina, é importante reintroduzir a prática de invertidas para restaurar o sistema endócrino e enxugar o útero. Ainda não é indicado fazer as retroflexões e, se estiver muito cansada, não exagere nas posturas em pé nos primeiros dois dias após cessar o sangramento, com exceção de uttanasana e prasarita padottanasana.

Atenção: Busque sempre a orientação de um (a) professor (a) experiente.

yoga-menstruacao-artigoGeeta Iyengar adverte que sirsasana e ciclo (parsva sirsasana, ekapada sirsasana, parsvaika pada sirsasana) e sarvangasana e ciclo (halasana, parsva halasana, supta konasana, karnapidasana, ekapada sirsasana, parsvailka pada sarvangasana) devem ser praticados todos os dias (fora o período menstrual) para o equilíbrio dos hormônios. Ademais, a prática fora do período menstrual deve ser normal. Quando se tem sangramento muito forte, primeiro, é indicado procurar um médico. Segundo, o foco da prática durante a menstruação deve mudar: não force aprofundar nas posturas e procure relaxar completamente em cada postura; solte o abdômen e dirija a respiração para as partes do corpo em que sente mais desconforto. Relaxe também o cérebro, profundamente. Não é recomendado fazer as posturas em pé, a menos que você as faça encostada na parede, pois nessas posturas algumas mulheres contraem os músculos do baixo-ventre e do útero, o que gera mais desconforto. No entanto, pode-se fazer o ardha chandrasana, pois este abre a pelve e é ótimo para diminuir sangramentos intensos e aliviar cólicas. Outras posturas indicadas são: upavistha konasana (ergue suavemente o útero, levando a um efeito secativo), baddha konasana, supta baddha konasana e setu bandha sarvangasana (as três últimas aliviam o peso do útero). Uma das causas de sangramento intenso durante a menstruação pode ser, entre outros problemas, a endometriose. Nela, pedaços do revestimento uterino se rompem e em vez de descer e sair do corpo, eles sobem e se alojam, principalmente, nos órgãos pélvicos. Quando ocorre a menstruação, esses pedaços de tecido também sangram (pois são estimulados pelos hormônios) e causam cólicas fortes. O estresse pode agravar a endometriose. É recomendado mudar o estilo de vida, cuidar da alimentação, descansar no primeiro dia da menstruação e praticar posturas de yoga suaves para levar sangue novo à região pélvica e aliviar cólicas. Devem ser feitas as posturas de yoga que erguem e expandem a região pélvica, durante a menstruação. No geral, devem-se evitar as posturas e ações que causam qualquer tipo de travamento, seja do abdômen ou da garganta. Uma postura bastante recomendada é o  setubandha sarvangasana com as pernas separadas, que proporciona o relaxamento completo da base pélvica. Também para quem tem endometriose, a prática após o término do sangramento pode retornar ao normal. As invertidas devem ser praticadas com um bloco entre as coxas, pois o bloco fecha a região pélvica e ajuda a curar qualquer tecido que esteja lesado, segundo Patricia Walden. Outras posturas recomendadas são: baddha konasana e upavistha konasana nas invertidas, para aumentar a circulação na região pélvica. É muito importante manter uma prática regular de yoga para a saúde como um todo e para a saúde do ciclo menstrual em especial.

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Bibliografia

IYENGAR, Geeta S. A prática da mulher durante todo o mês. Este artigo é transcrição de uma palestra dada em Czestochowa – Polônia – em 29 de abril de 2002. (Tradução de Fabiana Rodrigues Barbosa. Versão original pode ser consultada em https: iyengaryoga.org.uk/mi-cliente/media/documents/practice_of_women.pdf) SPARROWE, Linda, com sequências de yoga de Patricia Walden. O livro de yoga e saúde para a mulher. São Paulo: Pensamento, 2005. SPARROWE, Linda, com sequências de yoga de Patricia Walden.  Yoga para saúde do ciclo menstrual. São Paulo: Pensamento: 2006. Referência da imagem: Livro B.K.S Iyengar Yoga: o caminho para saúde holística Este artigo foi escrito por: Rosi Silva