Yoga como um processo contra o qual não temos defesas.

[vc_row][vc_column width=”1/1″][vc_row_inner][/vc_row_inner][vc_column_text animation_loading=”no” animation_loading_effects=”fade_in”] O corpo não mente. Nem a respiração mente. Não se olharmos cuidadosamente e ouvirmos bem de perto. Temas divertidos, belos, selvagens, profundos, poderosos e muitas vezes frágeis são revelados quando nos aproximamos da prática como se estivéssemos ouvindo uma “linguagem contra a qual não temos defesas”. A linguagem da poesia é esta linguagem. Assim como a linguagem da música, da dança e toda a misteriosa linguagem da expressão artística. Vamos olhar a poesia mais de perto. Um bom poema ou mesmo uma linha de poesia pode muito rápida e habilmente penetrar meu coração. Descobri que tanto a poesia quanto as práticas físicas do yoga me tocam de uma forma profunda e pessoal que os ensinamentos filosóficos do yoga muitas vezes não fazem. Com boa poesia (tais como música, ou dança e arte em geral) meus mecanismos de defesa usuais são frustrados e se tornam ineficazes. Uma amiga lembrou-me recentemente que o poeta David Whyte expressou um sentimento similar no Programa NPR “On Being” com Krista Tippett. Ele disse que poesia é “uma linguagem contra a qual você não tem defesas”. Minha amiga disse que sentiu como se as nossas posturas de yoga fossem poemas. Eu concordo completamente! Sim! A prática de yoga é uma arte se a praticarmos como tal. Mas o que isto significa? Como fazemos isto? O que isto pode parecer ou ser? Poderá ser diferente para cada um de nós? Como podemos permitir que a presença em nosso corpo vá adiante e fale uma linguagem contra a qual não temos defesa? E como seria se nos comprometermos em abordar a investigação yogica (incluindo a filosofia) como um belo processo ou uma linguagem contra a qual não temos defesas? Como seria fazer isso? Como seria viver isto?   [/vc_column_text][ig_single_image image=”4008″ image_mode=”img-no-responsive” image_alignment=”alignleft” image_link=”no-link” target=”_self” animation_loading=”no” animation_loading_effects=”fade_in”][vc_column_text animation_loading=”no” animation_loading_effects=”fade_in”] Uma forma é ir devagar, prestar a atenção e ouvir bem de perto. Tente escutar de perto o que está surgindo e abra espaço para que isto seja ouvido. Ouvir é uma forma de prática intencional. Existem muitas formas poderosas e efetivas de se comprometer com uma prática intencional. Ouvir profundamente é uma forma. Podemos também ser intencionalmente mais brincalhões e infantis em nossas práticas e pesquisas. Esta “forma de brincar” nos ajuda a entregar e a investigar de forma mais plena. É especialmente frutífero quando nos sentimos empacados, amedrontados ou sem entusiasmo. Quando brincamos assim, nos damos a permissão de cometer erros, de fazer bagunça, de tropeçar e de não saber. Somos mais criativos. E isto nos ajuda a fluir e mergulhar na incerteza que é inerente à vida. E nos comprometendo desta forma podemos fazer mais perguntas. Lembra quando você era uma criança curiosa e perguntava de novo e de novo “por que?” Também podemos fazer experimentos. Lembra quando você aprendia por experimentação? Talvez você ainda seja assim. Dando permissão a nós mesmos para ouvir, questionar, experimentar e brincar talvez possamos acordar para o um mundo novo. Podemos ficar mais à vontade e felizes agora mesmo na nossa própria pele. E isso inclui as rugas, espinhas, sardas, a gordura e a magreza. E pode ser algo muito selvagem e muito belo. Pode ser também algo silencioso. É certamente algo maravilhoso e poético. Por que? Porque é real, honesto, sem disfarces, sem máscaras e defesas. Podemos repetir a postura ou um aspecto dela assim como lemos um poema ou uma linha da poesia muitas e muitas vezes. Podemos vira-la ao contrário ou de cabeça para baixo. Podemos vira-la de dentro para fora ou dividi-la e reagrupa-la como uma bela ideia que estamos tentando compreender. E este processo nunca termina pois há sempre um outro ponto de vista. (Há) Outra forma de ver e experimentar que não conhecemos, que não agarramos como se fosse uma entidade fixa ao invés de um processo fluido que revela aspectos de si para sempre. Talvez possamos diminuir a velocidade, pois ler ou ouvir poesia nos obriga a desacelerar. Talvez tenhamos que parar, fazer uma pausa, respirar e deixar o poema/postura/ideia/música ir fundo em nós. Talvez tenhamos que deixar que nos transforme sabendo que nunca mais seremos os mesmos e que isto nunca mais será o mesmo. Nestes momentos, entretanto, estamos vivos, completamente vivos. E aquilo com o qual estamos em comunhão se torna vivo também. Sua prática faz você se tornar mais vivo? A filosofia do yoga faz você se tornar mais vivo? Se não, pergunte o porque. Viva a pergunta: “como isto poderia (me tornar mais vivo)?”. Para citar David Whyte novamente: “qualquer coisa ou qualquer um que não o faz sentir mais vivo é muito pequeno para você”. Texto traduzido do inglês por Deborah Baré, originalmente publicado aqui. [/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]