Sutras de Patanjalim, Sadhana Pada, o segundo capítulo sobre a prática

Embora muitas vezes Svadhyaya seja traduzido como o estudo do “self”, a tradução correta é o estudo das escrituras e o pensamento em cima das mesmas. No livro, “Light on Yoga”, BKS Iyengar diz:

[…] Este estudo das escrituras sagradas do mundo permitirá ao Sadhaka que se concentre sobre e solucione os problemas difíceis da vida quando estes surgirem. Colocará um ponto final à ignorância e trará conhecimento. A ignorância não tem um começo, mas tem um fim. Há um começo, mas não há um fim para o conhecimento. Através de Svadhyaya, o Sadhaka entende a natureza da sua alma e ganha comunhão com o divino.

Light on Yoga, BKS Iyengar, pg 39.

O texto abaixo são algumas anotações da aula do professor Bruno Garrote, no curso de Formação de Professores em Iyengar Yoga em São Paulo.

Tema: Sutras de Patanjalim, Sadhana Pada, o segundo capítulo sobre a prática.

Definições a serem observadas:

  • Buddhi como sendo intelecto, discernimento, capacidade de raciocínio, reflexo ou instrumento de Purusha.
  • Karma como sendo ação, atividade, (lembrando que pensar também é fazer). Karma não é simplesmente causa e efeito.
  • Prakriti como sendo objetivo, dinâmico, inconsciente, percebido e matéria. Sutra 2.18 : O percebido é Prakriti, que se movimenta a partir da luz, do dinamismo ou da estaticidade. (os três gunas, ou qualidades de Prakriti, respectivamente: sattva, rajas e tamas)
  • Purusha como sendo subjetivo, estático, consciente, percipiente, consciência. Lembrando que Ishwara é um tipo especial de Purusha (Viveka Purusha).
  • Samsakara como sendo potência, latente para uma ação, é o resultado não percebido de um karma.

Exemplo: a metáfora do olho: Purusha é o nosso olho que vê tudo mas não vê a si mesmo, exceto quando vemo-nos no espelho (Espelho como metáfora para Buddhi).
A confusão primordial é a que nascemos e confundimos Purusha com Prakriti (Buddhi). Quando Purusha se identifica com Prakriti, isso é ignorância. Ignorância no sentido da má compreensão em pensar que “Purusha e Praktiti são a mesma coisa”.

Ex: Os acessos e definições de mundo são variados. Como é o mundo da formiga? E do cão? E do elefante?
A não ação advém do ato feito a partir do estado liberto.
Em tempo: para o Samkhya o Yoga vê a matéria como matéria. Para o Vedanta não é assim, tudo é “maya”.

A liberação consiste na distinção entre Purusha e Buddhi.

Sobre os Kleshas. Ficamos à mercê das variantes movimentações dos gunas : Sattva, Tamas e Rajas.
Ignorância é o campo fértil dos outros Kleshas que podem estar latentes, enfraquecidos ou interrompidos.
Para o Yoga antigo eles colocam o conceito de céu / inferno e o conceito de deuses em xeque: A fala seria: – “quero ir para além dos “deuses” pois não quero mais nascer.”
Manas é a mente filosófica
Buddhi é o intelecto
Ahamkara é o senso de “eu”
O apego à vida é o desejo de não morrer, muito forte mesmo entre mestres muito avançados.