Reflexão o Yoga e os 7 Pecados Capitais

Reflexão o Yoga e os 7 Pecados CapitaisDentro do estudo do Yoga lidamos com as séries de condutas morais e éticas chamadas Yamas e Nyamas.

Dentro os 7 pecados capitais vemos algum sensato paralelismo de conceitos que podem dar uma boa opção de reflexão aos dias atuais. As seguintes idéias foram lindamente expostas por Luis Hanns , psicanalista em um curso dentro dos programas da Livraria Cultura em março de 2014.

Os pecados tem as suas contrapartidas de virtuosismo e sendo assim listamos de forma resumida:

Luxuria (como vício e descontrole na busca do prazer) se antepondo a Castidade (ou autocontrole)

Gula (no sentido do imediatismo) se antepondo a Temperança (ou ritmo)

Avareza (egoísmo, narcisicmo) se antepondo a Caridade (altruísmo)

Preguiça (comodismo) se antepondo a Diligência (empenho)

Ira (vingan;ca ou intolerância a frustração) se antepondo a Paciência (tolerância)

Inveja (Comparação) se antepondo a Generosidade (auto estima)

Soberba (vaidade) se antepondo a Humildade (saber o seu lugar)

Durante a nossa fase de desenvolvimento mais primária passamos dos 0 aos 9 meses aproximadamente a visitar a fase do autoerotismo. Aqui o bebê percebe tudo como uma forma bastante maciça de dor ou prazer. Pelas repetições das experiências ele aprende a associar sequências de imagens a sensações de prazer ou dor (desprazer).

Ele forma o seu mapa do mundo ou o seu mapa dos sentidos.

Mais tarde um pouco na fase Narcísista temos explorados dos 9 meses até os 3-5 anos o nosso espelhamento. Aqui o EU se instala. A criança é uma colcha de retalhos. A criança se constitui pela fala do outro, o EU faz sentido pela fala do outro. “o nariz da vovó”., “teimoso como o pai”, etc.

Somos retalhos colados em nós mesmos. Ao eu me ver no espelho me qualifico e e posso ver ou não uma coisa “boa”. Nos enxergamos com uma determinada lente e poderemos nos ver e reconhecer constantemente buscando nos encorporarmos dentro de nós mesmos. Para o bem e para o mal.

Nesta fase temos o “bônus”de sermos aprovados tão simplesmente por existirmos!

Na fase edípica dos 3-5 anos até os 7 anos passamos pelo colapso narcísico. Aqui eu sou amado de uma forma condicionada. Preciso ter um desempenho para Ser de novo. Preciso tolerar o impedimento e adiamento, a criança precisa controlar o imediatismo dela e surge o medo da rejeição e do aniquilamento.

Aqui a criança opera a partir do Medo e depois da Vergonha. Veja bem: na vergonha eu já estou preocupado com a opinião do outro. A vergonha de mim mesmo gera a culpa que contrói a ética. A grande barreira é o desejo do outro. Lembre-se de que o nenê tem reações maciças e um desejo louco de ser atendido ; a área cortical frontal acionada faz agente entender que precisamos nos modificar e nos sujeitar a limites. Tornar-se humano pressupõe evolução.

As virtudes por assim dizer que cabem dentro nos Yamas e Nyamas são os nosso exercícios diários de introjetar estas condições sattvicas. A pessoa humilde por exemplo entende o lugar dela ; os superastros esquecem-se que brilham por sorte, esquecem-se de que existe a transitoriedade nisto tudo . A inflação do ego é nociva quando pega nesta teia ilusória.

Introjetar virtudes é um desafio.

Exemplo das pesquisas feitas com adultos e seus vizinhos. “O que você prefere? Ganhar mil e seu vizinho dois mil ou cada um de vocês cem? “ A resposta votada foi a segunda.

Existe um impasse pois meu desejo é sempre “perverso”mas preciso caminhar dentro da Ética.

A saída do Oriente é a aposta no DESAPEGO : “o desejo leva a frustração”, logo é em essência o caminho para a infelicidade. Trabalha-se o despojar, esvaziar o EU. O monge irá se despojar da matéria de seu próprio corpo , combate o egoísmo , a pressa. São anos e anos para se chegar no Nirvana e inserir-se no fluxo cósmico. Existe uma aceitação e a felicidade e a dor não os afetam mais.

A saída do Ocidente é a aposta no DESEJO. Mas veja bem…aqueles que ganham na loteria 3 meses depois vivem da mesma forma por causa da “habituação”. A aposta aqui é a vida vale a pena. A cilada é que ao realizar o meu desejo eu caio na “habituação”, depois brota outro desejo e depois subsequentemente eu vou cancelar sempre uma falta e rastrear outra. Quando eu pauto a minha vida na realização do desejo eu “caio”. Na visão socrática e na psicologia moderna apostamos na busca do desejo. Outra atual corrente é o FLOW. Trata-se de um estudo novo onde aposta-se no desejo mas colocamos um preciso enfoque na realização do mesmo com desapego. Alguns desejos não são permutáveis e algumas desgraças acontecem. A arte de viver seria investir no processo dos desejos e conquistas ganhando algumas compensações internas para um estado sereno de ser.

As reflexões à luz dos estudos dos Sutras de Patanjalim focam em algumas variantes do texto acima:

Como hoje eu me vejo ? Com total sinceridade? Como sobrevivo aos “retalhos “que me foram colados nos primeiros anos de minha vida?”

Como eu faço a minha aposta de liberdade espiritual nos dias atuais? Foco na força absoluta das práticas yóguicas? Desejo o Nirvana mesmo tal qual observado nas escrituras?

“Como invisto nas minhas práticas diárias de introjetar as virtudes que sei que existem em mim, mas muitas vezes me falta lucidez para colocar na prática as mesmas?

[autor nome=”Analu”]