Iyengar Yoga e uma visão sobre o Savasana

Por professor e psicoterapeuta Michael Stone. Krishnamacharya professor de Pattabi Jois e BKS Iyengar ensinou a cada um de seus estudantes a mesma visão sobre o Savasana. Esse artigo e uma exploração psicológica da postura do cadáver, do morto que me foi ensinada através dessa linha de pensamento. “…a cada dia que passa um pouquinho de morte.” Pattabhi Jois No final de nossa pratica de yoga asanas nos deitamos , deixamos os pés rolarem para fora, respiramos longamente, as palmas da mao olham para o ceu e entregamo-nos ao Savasana, a postura do morto. Essa postura e a mais difícil de todas , onde imitamos um morto. “ A mais diicil para os estudantes”, diz Pattabhi Jois, “não eh andar e não eh dormir”. Quando somos novos na pratica a experiencia de Savasana eh simplesmente um descanso depois da tarefa árdua da pratica em reclinar, torcer, alongar o corpo em varias maneiras. Primeiramente o Savasana torna-se somente uma outra forma aparentemente não requerendo qualquer técnica conceito ou aplicação. Em Savasana deixamos o ar simplesmente entrar e sair das narinas conforme o padrão natural de respiração da pessoa.Assim como o ar encontra vias através de um corpo com canais abertos, a mente faz o mesmo caminhando através do fluxo de sensações e fluxo de pensamentos. Quando a respiração eh livre, a mente eh livre. Quando o ar deixa-se fluir solto e naturalmente a mente descansa nela mesma. Quando a mente relaxa a língua e palato ficam com mais espaço, o teto da boca de eleva e alarga e o centro do corpo abre. A mente ativa eh a conseqüência de exarcebar nas posturas de yoga, a forma que ela toma no Savasana eh exatamente o contrario dessa que acontece no savasana quando dormimos profundamente. Parece que dormir eh a forma mais aprofundada do savasana, mas o savasana deve existir entre a atividade e a total não atividade (dormir).Dormir e sonhar ah mais fácil do que entregar-se para a postura, dormir nos deixa apartados da experiência profunda e sutil do savasana. Não tem nada de mau em dormir ou sonhar acordado, apenas eh que nesses estados estamos sem consciência e a mente mantem seu estado de existência condicionada enquanto dormimos. Patanjali vê o savasana em uma perspectiva onde podemos entrar no vazio inerente ao presente momento, esse mesmo vazio não eh acessado enquanto sonhamos acorados e fugimos do vazio. O que estamos evitando enquanto dormimos na postura do cadáver? Quando a respiração acalma e a mente inicia a seguir as nuances dessa respiração e sensações do corpo nos nos conectamos com o centro de nosso corpo, de nosso ser. Usualmente a mente tenta de tudo para não entrar em contato com as sensações e sentimentos de nosso centro. Patanjali vê a estratégia de evitar contato como os nossos sentidos sendo que colocamos as coisas e sentimentos desagradáveis nos cantos de nossos corpos e psique onde o radar da percepção não irah chegar. Quando algo eh fisgado, um pensamento que traz desconforto , uma sensação que perturba, uma memória, chamamos imeditamente nosso repertorio de fuga tais como dormir e sonhar acordado. Na maioria das vezes vivemos em ciclos de distrações, chamado pro Patanjali de avydia ou ignorância. A ignorância esta ligada ao ato de evitar.Em savasana, entretanto, não precisamos evitar. Simplesmente observamos com uma atenção constante o que quer que venha a tona, permitimos que isso passe, que morra e voltamos ao presente momento.Savasana nos dah a chance de experenciar uma pequena morte, a cada momento, a cada dia, segundo Pattabhi Jois. O que mais vemos nas nossas praticas são nossos padrões de apego e repulsa. Engolir e cuspir, digerir e evacuar, aceitar e rejeitar. Todos esses atos discriminativos tornam-se formas de selecionarmos o que queremos tolerar e o que recusamos tolerar. Parte do nosso processo de deixar os nossos preconceitos e reações ansiosas, diz respeito a deixar toda a categoria de “intoleraves” caírem. Quando o pensamento de desconforto surgir, quando as sensações que nos tiram de nosso savasana nos distraírem voltamos ao presente momento sem engulir ou cuspir os conteúdos que emergiram de nossas partes mais profundas de mente e corpo. Ao invés nos apenas permanecemos deitados com todas as nossas repulsas e desejos pois ambas são sagradas e nos ensinam a ver quais são as nossas estratégias de repulsa e desejo e como elas estão relação ao presente momento. Observando esses padrões podemos suspender esses mesmos padrões, essas estratégias e nos entregar ao sentimento que esta sendo oculto por medo. Essa entrega dah espaço a mente e corpo e quando praticamos assim podemos perceber que sempre temos espaço suficiente para tudo internamente. Quando o esforço termina temos a habilidade de morrer na postura do cadáver. Esse vazio eh o que sobra quando o self esta ausente. Quando não temos visões, idéias, concepções, pensamentos, o mundo eh visto como tal sem filtros, modificações, interpretações, objetivos, e qualiicacoes. Em outras palavras, quando permitimos que nossas concepções sobre o mundo passem, experimentamos o mundo tal qual ele se apresenta.Nesse espaço, a postura do morto não tem inicio nem fim e a nossa discriminação sobre o tempo de desfaz. Não tem nada a ser feito. O pensamento chega a uma parada e a um entendimento dialético intuitivo, ao invés de um entendimento racional e lógico. A gravidade do savasana e entregue ao todo. Savasana eh a arte de praticarmos a nossa morte, um pouquinho todos os dias. “ Se o aluno não se levanta do savasana”, diz Pattabhi Jois, ou “quando levantamos o estudante e ele esta duro como uma prancha, então o savasana esta correto”. O objetivo da yoga na vida cotidiana e viver ativamente cada momento sem ser sugado pelos pensamentos ou pelo pensamento de não pensamento. Chao de madeira, janela aberta, mantas, almofadas, camisetas, meias de la, tem algo profundo nisso tudo. Experiencia, como o momento presente, eh sempre esperar para o lugar acontecer. A arquitetura do savasana requere de nos a continuamente abandonar o chão em que estamos deitados e ,literalmente abandonar o chão de nossos pensamentos e de nosso corpo. Deixar que tudo caia e que nossas experiencias passem. Esse eh um ato de morrer e de viver. Nossa imaginação nos deixa muito agitados explorando o mundo das possibilidades, mas no final não teremos outra possibilidade que não a morte. Entao, no centro de sua atribulada vida mundana, onde voce esta sempre buscando algo melhor veja como o momento presente esta apenas a distancia de uma morte a frente.