Guruji na China: Uma entrevista com Manouso Manos

Por Robin Mishell “Talvez este tenha sido o melhor ensinamento de yoga que eu ouvi mesmo com ele. Nestes últimos quase 40 anos tenho pensado, e eu estou pensando agora, como é que ele continua ensinando a mim e a esses novatos e eu ganho tanta riqueza vinda dessa montanha de informações de yoga?” B.K.S. Iyengar conduziu uma convenção histórica de três dias em Guangzhou, na China, em junho de 2011. A convenção comemorou 600 anos de amizade e de intercâmbio diplomático entre os governos indiano e chinês. Como Zubin Zarthoshtimanesh, um estudante de longo tempo de Guruji, observa, “O Yoga está crescendo na China. Existem mais de 400 centros de yoga só em Pequim, e há de 5 a 6 milhões de praticantes de yoga na China hoje em dia”( A Grande Montanha encontra a Grande Muralha. Rahasya Vol. 19, No. 3, 2011). Gurujii convidou dois professores Sêniores de Iyengar Yoga dos Estados Unidos para auxiliá-lo: Manouso Manos, de San Francisco, e Patricia Walden, de Boston. Patricia disse sobre a experiência: “A comunidade chinesa nos recebeu com seus corações e nos regaram com amor. Guruji foi infatigável, dinâmico e apaixonado. Seus ensinamentos foram simples, mas profundos. Ele falou sobre o coração continuamente e sobre a divindade que vive dentro dele”. Patricia transmitiu o que Guruji disse: “Não pratiquem pela beleza estética, pratiquem pela beleza cósmica. Pratiquem para a beleza interior e para a luz interior. Ir do estado de cosméticos para o estado cósmico “. Manouso Manos também compartilhou algumas de suas idéias e experiências com Guruji na China. P: Conte-nos sobre Guruji na China e como ele começou a convenção. R: Imagine um homem levando a sua vida de trabalho – mais de 75 anos de ininterrupta prática – e diante de pessoas ele descreve do que se trata esse assunto. Isso já foi destilado e filtrado tantas vezes que você sabe que você vai obter a essência – o creme para onde todos nós devíamos ir. Ele começou segurando esta folha. Guruji explicou: “Assim como as veias da folha se espalham para fora, assim também deve ser a pele e os músculos das pernas. O corpo inteiro deve não só se estender verticalmente mas também se expandir horizontalmente se a pessoa quiser ter um alongamento rítmico no asana. Assim como uma folha seca das extremidades para o centro. Da mesma forma, o corpo humano em geral,envelhece do corpo externo (músculo-esquelético) para o centro do ser “. Ali ele começou. Depois literalmente, passou por todos os sutras como os dias se passaram, mudando o que ele dizia diariamente. Ele começou a falar sobre o que é ser consciente. Ele falou sobre os estados da mente e os cinco elementos. Ele teceu tudo isso numa tapeçaria notável até fazer sentido e se tornar uma tradição viva. Em vez de ler os sutras como um romance, nós o abrimos e perguntamos: “Será que isso tem algum significado para mim? Será que isso tem alguma coisa a ver com a minha humanidade como eu a entendo? Será que isso tem alguma coisa a ver com a transição que pode ser possível em minha vida? ” Saí da aula da manhã de sábado e disse a mais de uma pessoa, “Acho que esta foi a melhor instrução yoga que eu ouvi mesmo com ele. Nestes últimos quase 40 anos tenho pensado, e eu estou pensando agora, como é que ele continua ensinando a mim e a esses novatos, e sempre me enriqueço com o que vem dessa montanha de informações sobre o yoga? P: Você pode descrever o ensino de Guruji? R: Ele tem uma habilidade de controlar uma sala de aula diferente de qualquer professor de yoga que eu já vi. Ele nos traz em direção a ele. Na sexta-feira, ele ensinou Utthita Trikonasana, Utthita Parsvakonasana, Prasarita Padotanasana, Parvotanasana e Tadasana. Guruji disse que estas são as posturas mais importantes para os iniciantes, descrevendo-as como blocos de construção. Agora, tirar três horas e meia para ensinar estas posturas e dar a complexidade que ele deu – isso é que é difícil para a maioria das pessoas compreenderem, mas foi exatamente isso que ele fez. Você vai ver, se o DVD sair. Eu realmente espero que ele saia tão eloquentemente, ou que ele dê alguma compreensão de como ele deu aquelas aulas. Ele tem essa capacidade de deixar todos na sala sentirem que ele está falando diretamente com cada um deles, como se houvesse uma comunicação direta saindo do guru para cada uma das 1.300 pessoas na sala. E isso não é coisa da minha cabeça. Você poderia dizer pelo jeito que eles estavam batendo palmas, a maneira como lágrimas caiam de seus olhos ao final. Eles ficaram realmente muito comovidos. P: Guruji invocou Deus ou cantos em seu ensino? R: Ele foi advertido para não fazer isso. Ele não começou com o canto ou com o om que estamos tão acostumados a fazer na tradição Iyengar, mas depois que passou um dia, então ele disse: “Vocês vão ter que me desculpar um momento. Eu quero fazer minhas orações ao meu Senhor Patanjali”. Aqueles de nós que sabíamos, nos juntamos a ele. Ele foi avisado pelo governo, que ele não estava autorizado a ter qualquer conotação religiosa ou eles literalmente iriam interrompê-lo. Mas ele teve sua própria maneira. Ele não começou assim, mas ele garantiu que o canto entrasse ali em algum ponto. Esta é a maneira do Sr. Iyengar. Ele percebe que ele tem sua própria maneira de ver as coisas e ele vai trazer aquela multidão a ele, em vez de apenas seguir essa linha dura do partido. P: Conte-nos sobre um momento pessoal que você teve com Guruji na China. R: Eles queriam que ele saisse para ver a Grande Muralha. É uma das coisas mais notáveis ​​construídas pelo homem. Nós fomos lá e essa ida foi pesada pra ele. Ele já havia feito tanto. Suas duas horas de aula se estenderam para quase 3:30 hs. Disseram-lhe para sentar-se e ele não se sentou em momento algum. Ele simplesmente continuou disparando é isso que a yoga é, isso é o que você vai fazer, e é assim que você vai trabalhar. Quando saímos para a Muralha,eles o convidaram para uma pequena caminhada e ele disse: “Não. Deixe-me olhar para este lugar bonito e respirar o ar fresco. Todos vocês, vocês vão”. E, claro, ninguém se mexia. Guruji disse para todo mundo ir e que ele iria fazer Savasana. Eu disse, “Deixe-me guardá-lo. Eu vou deixá-lo sozinho. Todos vão em frente”. Eu dei a desculpa dos meus quadris serem o que são a Guruji e ainda ter de ensinar na Rússia. Eu disse-lhe: “Deixe-me sentar aqui com você. Eu não preciso ir a qualquer lugar. Vamos apenas sentar-nos por um momento e desfrutar a companhia um do outro, até que eles se vão, e então você pode fazer Savasana. Você sabe, eu não vou te incomodar. ” Faeq Biria, Guruji, e eu, nos sentamos em um café juntos e conversamos sobre os velhos tempos, e apreciamos o lugar onde estávamos. Realmente foi um momento mágico para mim. Ser capaz de estar na Grande Muralha e estar com o meu professor e passar aqueles poucos momentos privados foi realmente surpreendente. P: Você pode descrever a intensidade de Guruji durante a viagem? R: Eles nos levaram a este restaurante indiano muito bonito em Pequim. Eu me sentei ao lado do Guruji e começamos a falar sobre amenidades – política, o clima, qualquer coisa. Sua voz estava muito baixa. Eu me inclinava para ouví-lo e pensava que ele devia estar muito cansado. Alguém veio da embaixada e sussurrou em seu ouvido, perguntando se ele iria falar com um repórter. Eles colocaram o gravador e perguntaram a ele sobre yoga. Sua voz começou a transformar-se e ele decolou; porque ele estava em seu tema. De repente, em vez daquelas coisas mundanas de que falávamos, ele estava de volta ao alvo, descrevendo às pessoas este assunto notável que ele revolucionou. Eu estou vendo ele ir do homem idoso que está falando baixinho para um que está explicando e gritando para o mundo que este assunto é importante. Foi uma transição bastante notável e profunda.