De volta ao básico: Sirsasana

A marca registrada do método de ensino de Guruji Iyengar é a precisão e a clareza de instruções. Geetaji tem seu próprio olhar para perfeição e observação dos mínimos detalhes junto da herança das características de Guruji. Ela busca que todos os presentes em suas aulas captem a essência do yoga por meio de suas séries de instruções claras, simples e sequenciais. Durante as celebrações do Yoga-Sadhana em dezembro de 2004, ela focou nos fundamentos e em como obter uma base sólida em nossas práticas. Arti H. Mehta transcreveu e compilou seus ensinamentos para a execução de Sirsasana.

Sirsasana_iyengar_yoga_1

Ajustes em Sirsasana

Posicionamento dos antebraços

  • Entrelace seus dedos.
  • A borda externa do osso do antebraço deve estar firmemente posicionada no cobertor.
  • A carne do antebraço toca facilmente o chão, mas o osso não toca. Por isso, mantenha o osso em contato com o chão e espalhe a carne.
  • A pele do antebraço frontal costuma cair. Mantenha-a para o alto.
  • A porção do antebraço que está voltada para o teto não deve girar para fora. Mantenha-a reta.
  • Erros que podem ser evitados enquanto elevamos as pernas em sirsasana:
    1. os cotovelos devem estar voltados para frente.
    2. Os antebraços não devem sair de sua posição.
    3. Pressione os antebraços contra o cobertor enquanto eleva as pernas.

Ajuste dos braços superiores

  • Pressione os antebraços para baixo e então erga os braços superiores para cima e para frente.
  • Certifique-se de que os braços superiores estejam alinhados com os antebraços.
  • Cria-se espaço entre as clavículas quando os braços superiores vão para frente.
  • As fibras musculares dos braços superiores têm que se aproximar do osso pela expansão da carne.
  • Gire e mova as axilas internas para frente.
“A fronte da axila deve se mover como uma flecha em Sirsasana e a axila posterior deve se mover como uma flecha em Pranayama.”

Braços de Sirsasana em iyengar yoga

Ajuste da cabeça e do rosto

Quando se leva as pernas para cima em Sirsasana, a força do corpo move a cabeça e o rosto para frente. Portanto, depois de subir:

  • Mova a cabeça para a posição original.
  • Permita que o rosto volte para trás.
  • Mantenha a parte posterior do topo do cérebro alinhada com a base do cérebro.
  • Não permita que o crânio oscile para afrente nem para trás enquanto respira.

Ajuste do peito

A parte superior do peito deve se mover para a frente. A sensação nessa região deve ser parecida com a sensação que temos quando vamos de Sirsasana para Viparita Dandasana.

Ajuste das costelas flutuantes

  • A pele acima das costelas flutuantes deve massagear as costelas.
  • Alongue e estenda a pele próxima das costelas flutuantes de maneira que elas não se movam agressivamente para frente.
  • Não permita que as costelas flutuantes se projetem para fora. Mova as costelas inferiores frontais para trás de modo que as costelas posteriores se alarguem.

Observações no abdômen

  • O abdômen não deve estufar.
  • Não permita que a porção baixa do abdomen caia para dentro.

Ajuste do diafragma

  • Sente-se como você se senta para Pranayama. Faça antara kumbhaka e veja como o diafragma e a pele massageia as costelas flutuantes para que se mantenham estáveis. A pele massageia suas costelas flutuantes. Essa deveria ser a ação e sensação a ser sentida em Sirsasana.
  • Normalmente em Sirsasana, você massageia a pele com os ossos das costelas, mas isso é o oposto do que deve ser feito e kumbhaka é o guia.
“A pele orienta suas costelas flutuantes. O movimento da pele em kumbhaka é a ação em Sirsasana.” Isso é como Pranayama nos ensina Asana.

Ajuste do cóccix

  • O cóccix não deve se projetar para trás. Mova-o para dentro e então alongue-o na direção do calcanhar.
  • O cóccix anterior deve se mover na direção do cóccix posterior e o cóccix frontal deve ser mais longo que o posterior.

Ajuste dos quadris

  • Compacte os quadris e mova os quadris externos para as coxas internas.
  • Os lados externos das nádegas devem se mover para as nádegas internas e as virilhas.
  • Mova os quadris externos para perto das coxas internas.

Quadris de Sirsasana em iyengar yoga

Ajuste das coxas e dos joelhos

  • Mantenha as virilhas paralelas uma à outra.
  • Corte as coxas externas para dentro.
  • Mova a parte externa do fêmur e eleve a pelve.
  • Os olhos controlam as coxas. Se os seus olhos se movem suas nádegas e coxas irão ceder.
  • Alargue as coxas posteriores e afine as frontais.
  • Alargue os músculos inferiores das coxas para os lados.
  • Alargue a parte posterior dos joelhos.

Ajuste dos músculos das panturrilhas

  • Mova a parte interna das panturrilhas para trás.

Ajuste dos pés e dedos

  • Toque os grandes artelhos. Gire os metatarsos para dentro para que os dedões se toquem.
  • Pressione os dedos especialmente os lados externos das unhas e então eleve a pele dos dedos.

Ajuste dos calcanhares

  • Gire o calcanhar interno na direção do externo.
  • Não estreite a parte posterior do calcanhar.
  • Erga os calcanhares internos e não os deixe se encolherem na direção do corpo.
  • Erga os calcanhares internos e as coxas internas.

O que é um Sirsasana correto?

Os hemisférios do cérebro devem seguir paralelos um ao outro. A distância entre o centro e o crânio não deve ser maior ou menor em nenhum dos lados. Então, posicione a cabeça de maneira que todos os quatro hemisférios cerebrais trabalhem separadamente. Para isso, as extremidades posterior e anterior da nuca devem estar paralelas.

Como saber se os hemisférios cerebrais correm paralelos?

Se o topo frontal do cérebro está mais longo, então, significa que você contraiu os hemisférios frontais do cérebro. Se você estendeu a parte posterior do pescoço, a parte posterior dos hemisférios cerebrais se afasta do chão. Assim como a haste da fruta madura está perpendicular ao chão, em Sirsasana, o corpo deve estar perpendicular de forma que os braços, as pernas, as pernas posteriores, as pernas frontais, as laterais das pernas e o corpo flutuem sobre as quatro fronteiras dos hemisférios cerebrais.

Esse é o Sirsasana correto.

O artigo foi reproduzido de Yoga Rahasya Vol. 12, no. 4; 2005 com a permissão da editora, traduzido por Fabiana Costa, revisado por Roberta Maran e Jonathan Batista