Asthanga Yoga no Virasana

Os diferentes aspectos do Asthanga Yoga podem ser experienciados até mesmo em uma postura simples como Virasana. As técnicas básicas e mais sutis para alcançar este estado foram compiladas dos ensinamentos de Guruji das celebrações do seu aniversário de 80 anos e do Jubileu de Prata.

O básico de Virasana

  B.K.S. Iyengar em Virasana.
  • Antes sentar-se em Virasana, pressione a unha do dedão do pé em direção ao chão.
  • Gire os músculos da coxa para dentro e os da panturrilha para fora.
  • Gire a pele das patelas de fora para dentro, de modo que qualquer sensação de pinçamento nos joelhos seja liberada.
  • Se os tornozelos estivem rígidos e doloridos, coloque um cobertor enrolado debaixo dos metatarsos.
  • O calcanhar não deve girar para dentro e ambos os pés devem permanecer paralelos um com o outro.
  • Se os calcanhares não permanecerem em linha com as solas dos pés coloque um cobertor enrolado entre o quadril e os calcanhares.
  • Mova a cabeça dos metatarsos em direção aos dedos dos pés. O peso do corpo deve ser sentido nos metatarsos externos também.
  • Erga a coluna vertebral e mova as escápulas para dentro do corpo.
Executar Virasana com presença permitirá que se realize o asana com grande facilidade.

Os aspectos sutis de Virasana

Aspectos sutis de Virasana
  • A cabeça das juntas de todos os cinco dedos de ambos os pés devem estar tocando o chão de maneira uniforme
  • Gire os músculos da panturrilha para fora e os músculos da coxa para dentro
  • Mantenha a coluna ereta e então sem movimentar o corpo bruscamente, mova a coluna dorsal em direção ao peito e garganta
  • Eleve a coluna para cima a partir da parte interna das nádegas
  • Entrelace os dedos das mãos e estenda os braços em linha reta para cima, sem empurrar a coluna e então traga os braços para baixo
  • Sinta a sensação nas orelhas, cabeça e peito. Estenda os braços para cima mantendo esta sensação e sentimento
  • Então pressione as virilhas levemente para baixo, mantendo a extensão dos braços, mova a parte mais baixa da cintura levemente para frente
  • Erga os braços internos. Então sem balançar as mãos, mova a parte de trás das costelas para as laterais
  • Troque o entrelace dos dedos e repita todos os ajustes descritos anteriormente. Mova os cotovelos e braços superiores, aproximando-os enquanto os antebraços se movem levemente para fora
Assim a coluna se torna muito ereta e todos os nossos sentidos são absorvidos pelo asana.

Os aspectos mais sutis de Virasana

 
  • Os músculos quadríceps e as virilhas devem se aprofundar
  • As virilhas de ambas as pernas devem estar alertas. A energia se move para fora da perna da virilha que for lenta (que não obedece rapidamente às ações internas)
  • Mantenha as mãos sobre o chão e erga levemente as nádegas para cima. Gire as virilhas externas em direção às virilhas internas e ajuste-as de tal maneira que fiquem uma de frente para outra. Então leve as nádegas para trás e para o chão sem perder a atenção sobre as virilhas
  • Observe os dedos dos pés. Os dedos de um dos pés giram para dentro enquanto o outro pé não. A raiz do dedão de ambos os pés devem estar tocando o chão. O ajuste da raiz do osso do dedão do pé conduz ao correto Virasana. Este ajuste tem que ser feito manualmente.
  • Observe o osso inferior da tíbia. O centro da tíbia tem que estar paralelo ao chão. Levante as nádegas para cima e ajuste a tíbia para que ela fique paralela ao chão. Coloque as mãos sobre os dedões dos pés e pressione-os para baixo em direção ao chão e desça as nádegas para baixo, tendo o cuidado para que o dedão não se mover para dentro. Assim a tíbia permanece paralela ao chão
  • O interior e o exterior das bordas dos metatarsos devem estar tocando o chão
  • Observe a parte interna dos músculos da sua panturrilha e seus joelhos. O comprimento da parte interna do músculo da panturrilha de cada perna é maior que a outra. O joelho não gira corretamente para dentro no lado de onde o músculo da panturrilha é mais curto. Levante as nádegas para cima e com as mãos ajuste os músculos da panturrilha para estendê-los em direção aos calcanhares. Então a rotação dos joelhos é uniforme sobre ambas as pernas e não há carga sobre os joelhos. Isto é Savasana para os joelhos
Assim as ações devem estar baseadas em observações.

Os mais sutis aspectos de Virasana

  • Prayatna (esforço) torna-se Saythilya (sem esforço) no Virasana, quando as nádegas atingem a propriedade de Laghma (leveza). Enquanto os pés atingem a propriedade de Garima (peso). Assim as nádegas que são “terra” tem que se tornar “ar” e os dedos dos pés que são “ar” tem que se tornar “terra”.
  • Observe a sensação do arco do dedão do pé. Aí deve haver um bom fluxo de atenção. Para alcançar uma uniformidade nesses fluxos das sensações ajuste o espaço entre o dedinho do pé e o adjacente a este. Experimente levar esta parte para o chão. Se for incapaz de tocá-lo, então leve as nádegas para cima e espalhe os dedos e sem permitir que a região dos dedos se encolha, desça as nádegas para baixo.
  • Quando você descer as nádegas de volta para o chão, não deve haver carga sobre os joelhos. Os joelhos devem estar muito passivos.
  • Observe os músculos das coxas. A perna cujos músculos da coxa giram para dentro é mais inteligente. Agora aprenda como mover os músculos. Eleve apenas os joelhos ligeiramente para cima. Gire as patelas (do lado interno) para fora.
  • Se o ajuste dos joelhos estiver correto, o centro da coxa aponta exatamente em direção ao teto. Se o centro das coxas não estiver apontando para o teto então a rotação da pele das patelas não foi suficiente. Se os músculos das coxas estiverem rodados para cima, então a pele da parte externa da patela não irá tocar o chão. Assim ajuste a pele da patela com muita precisão.
  • Agora sinta a sensação a partir da cintura pélvica para o meio do joelho. Há um fluxo uniforme de energia.
Permaneça assim e sinta a inteligência das pernas seguindo com Virasana. O fluxo uniforme desta energia, energiza o praticante. Texto original em Yoga Rahasya, Vol. 8.2,2001, traduzido por Silvia Regina Garcia, revisado por Roberta Maran e Jonathan Batista.