A Hierarquia na prática – O uso da respiração na prática em um Ásana por Prashant Iyengar – Parte 02

Você precisa mobilizar o Prana em diferentes partes para acessar diferentes partes. Você precisa de usar a respiração, de acordo com a parte que você quer ajustar. Se a sua face está contraída, então você precisa de isalar de uma forma, a que você a relaxe ou inalar de uma forma a que a sua face não se tensione. Você puderia me dizer qual é a parte suave e a parte endurecida em Trikonasana? As pernas precisam de ser firmes, a face suave. Você precisa entender em como ajustar a suavidade e parte firme através das isalações e inalações. Tudo isso precisa de ser compreendido e é desta forma que você irá ativar o Prána em seu corpo. Você precisa respirar de forma diferente para cada aspeto. O Trikonasana feito para a articulação do quadril ou para as escápulas é diferente. A sua respiração vai mudar de forma correspondente. O Trikonasana pélvico tem uma respiração diferente do Trikonasana torácico. A sua respiração terá que tornar-se torácica, se você quiser trabalhar no Trikonasana para abrir o peito. Se você quer fazer o Trikonasana para girar a pélvi, então você precisa fazer uma respiração apánica. Todas essas coisas precisam de ser aplicadas em uma hierarquia superior da prática.

As hierarquias na prática

A respiração não é o segundo nível, mas uma hieraquia mais alta. O primeiro nível: trabalhar de forma compartimentada. No primeiro nível, você ensina aos estudantes a compartimentar. Quando você pede para um iniciante, para alongar as pernas, você não pede a ele que também o tronco já esteja na posição. Quando você pede que o tronco esteja na posição, você não exige que as pernas, também, estejam. Você não pode pedir a uma criança para fazer coisas que exigem muita péricia e que sejam complicadas. Um iniciante não é tão habilidoso, então você não pode demandar a ele, trabalhar de forma combinada as pernas e o tronco. Nesse estágio, isso não interessa. Ele sabe que as pernas devem ser desta forma, mas talvez ele não tenha a habilidade para implementar isso. Então, em algum outro momento, você pede a ele, que o tronco se posicione de tal forma, e você não se incomoda, se de forma errónea ele dobre as pernas. Mas deixe-o saber que as pernas deveriam de estar esticadas e como deveria de estar o tronco e como o peito deveria de estar aberto e como ele deveria de girar. Você deixa que ele saiba as coisas, de uma forma compartimentada e ele vai então ajustando as coisas parte a parte. Supondo que você dê quebra-cabeça enorme de um elefante, você une as partes de formas diferentes, você une as pernas em algum lugar, a cabeça em outro lugar , o tronco e aí você une tudo. Depois você, finalmente, vai ter todas as partes unidas. No primeiro plano, você ensina ao estudante a trabalhar em compartimento. Você ensina para que ele trabalhe com as pernas, com as mãos, com o tronco, com o peito. Você ensina a ele que as pernas deveriam ser assim: uma girada para fora e outra girada para dentro. Essa perna é mantida reta, aquela perna mantida reta, essa perna você gira de dentro para fora, aquela outra perna você gira de dentro para fora. Isso é elevado aqui e aquilo é pressionado ali. Segundo nível: manter uma variável constante e trabalhar na outra. Se você pede muito para um iniciante, ele pode ficar confuso. É como pedir a uma criança para desenhar uma vela com uma mão e um círculo com a outra. Iniciantes precisam de ser ensinados de forma compartimentada. Mais tarde, você pode pedir a eles que façam duas coisas ao mesmo tempo. Você pode pedir aos estudantes para manter uma variável constante e trabalhar em outra variável. Por exemplo, em Trikonasana: manter o joelho firme, patelas comprimidas; e então trabalhar com a pele e a panturrilha. Manter os joelhos comprimidos e então trabalhar com os pés e os metatarsos; manter os joelhos comprimidos e trabalhar nas coxas e quadris; manter os joelhos comprimidos e trabalhar com a cintura e a coluna; manter joelhos comprimidos e trabalhar na espinha e peito; manter os joelhos comprimidos e trabalhar no peito; manter os joelhos comprimidos e trabalhar com os braços; manter os joelhos comprimidos e trabalhar com a cabeça. Algumas vezes, mantenha os pés firmes e então trabalhe com as demais partes. Desta forma, o iniciante aprende a combinar duas coisas:uma é uma constante e a outra a variável. Algumas vezes, a cintura: cintura e tronco; cintura e peito; peito e ombros; cintura e braço; cintura e cabeça; cintura e coxas; cintura e parte inferior das pernas; cintura e pés, então ele sabe a conexão de uma parte com as demais. No segundo nível, você precisa trazer duas coisas juntas e então você mantém uma variável e uma constante. Nível três: compreendendo a sequência. Agora, no terceiro nível, você precisa compreender os diferentes Trikonasanas. Faça Adho Mukha Svanasana e então Trikonasana. Faça Parsha Uttanasana e então Trikonasana; Marichyasana – Trikonasana; um arco para trás e Trikonasana; Cordas e Trikonasana; total equilíbrio de braços e Trikonasana. Desta forma, você começa a entender os diferentes movimentos, porque o Trikonasana é diferente, depois de Sirshasana. Algumas vezes, faça Ásanas em pé, depois de Sirshasana; algumas vezes, depois de torções ou de extensões para trás. Desta forma, o aluno começa a compreender como as posturas em pé são sentidas de forma diferente. Como o professor, se você está ensinando posturas em pé, então um dia faça com que eles façam posturas em pé no começo da classe, às 6h30m da manhã, quando ainda está muito frio. No segundo dia, faça com que eles façam os saltos e os movimentos rápidos; alguns equilíbrios rápidos sobre os braços e depois peça para que façam posturas em pé. Isto vai ser diferente. Ou, em alguns dias, faça com que façam Sirshasana e variações de Sirshasana primeiro, e depois peça para que façam os saltos e movimentos rápidos, alguma coisa dinâmica e então façam com que realizem as posturas em pé. Isso vai ser cinestésico, não vai? Eles terão uma prova de um estilo dinâmico durante as posturas em pé, mas, algumas vezes, faça com que eles façam o ciclo do Sirshasana, para que eles se componham. Isso vai ser um Trikonasana diferente e posturas em pé. Algumas vezes, faça com que eles façam torções, torções extensivas, por vinte minutos a quartenta e cinco minutos. E faça então com que eles façam posturas em pé. Também será uma diferença na experiência. Algumas vezes, forneça, a eles, extensões para trás e então faça com que façam poses em pé e vai ser uma experiência diferente. Eles vão entender cada postura sobre perspectivas diferentes. Agora qual é a mudança aqui? Se você fizer posturas de pé depois dos saltos, então tem um elemento de água e um elemento de ar; porque os movimentos de salto, o ar no corpo é turbulento e a circulação do sangue aumenta. Quando você faz as variações de Sirshasana, tem uma respiração mais xamânica e um elemento do fogo do Sirshasana. Isso terá um efeito diferente nas posturas em pé. Algumas vezes, façam que com eles façam flexões para a frente, aquiete-os, serene-os. Então as posturas em pé serão uma experiência diferente. É assim que você deve entender esta ciência. Você deve entender como uma postura é diferente dependendo o que tem sido feito anterior à mesma. Você pode sentir que Trikosanana é que estímulo eletroquímico diferente. É um estdo químico diferente. É um estado mental diferente, dependendo do que o procedeu, porque o estado mental muda, porque você está mudando os circuitos elétricos do corpo. Isso é um gerenciamento prânico, você está mudando as correntes de Prána. Sinta todas essas coisas, entenda como os Ásanas mudam com a sequência e depois você pode então evoluir para esses aspetos prânicos. Se você faz as torções antes das posturas em pé, então você trabalha na parte inferior do tronco e da espinha. Então a Pana e a Samana se mobilizam. Então nas posturas em pé, a respiração tornar-se-à Apaníca e Samánica para a espinha. Então é importante que se qualifique o trabalho da respiração. O aluno precisa de aprender quando inalar, quando isalar. Ele precisa saber os vários aspetos do Trikonasana, Trikonasana Pélvico, Trikonasana Gástrico. Então siga para o aspeto prânica do Trikonasana. Somente uma vez que você tenha qualificado , você terá a habilidade de isalar na pélvis, isalar nas costas, isalar no peito. E você então vai aprender, naturalmente, a acessar as partes diferentes em diferentes sequências. Então você vai sentir, vai tornar-se consciente em como o peito está atuando em Trikonasana, depois de cinco ou seis tentativas Bharadvājāsana. Então você vai aprender que tem alguma coisa como respiração no peito, respiração no diafragma, respiração no abdómen, respiração da pélvi, respiração da face, você pode então aprender a experienciar vários Trikonasanas que chegam em diferentes sequênciais.

Um resumo de tudo. Para resumir:

No primeiro nível, ensine aos estudantes a compartimentar as coisas: parte a parte, isso é como unir pontos. Vá juntando a perna, o peito, o tronco; aprenda a ir unindo as partes e então a unir o todo. Então veja se você pode unir duas coisas juntas, então você pode unir partes que estão distantes. Você pode trabalhar nos metatarsos e nos metacarpos simultaneamente? Você pode trabalhar com pés e braços? Pode trabalhar na parte dura e na parte mole? Na parte côncava e convexa? Algumas coisas, precisam de ser grossas nas posturas em pé; algumas coisas precisam de ser finas nas posturas em pé. Você pode trabalhar em ambas as partes de forma simultânea. Você precisa treinar essas faculdades, desenvolver essas habilidades para fazer uma variável a cada momento. Depois trabalhe mantendo uma variável constante e trabalhe na outra. Então trabalhe em duas coisas finalmente, levando àquilo que chamamos de totalidade. Totalidade precisa ser aprendida: totalidade de joelhos e braços; joelhos e metartasos; joelhos e tornozelos; joelhos e canelas; joelhos e coxas; joelhos e cintura; joelhos e tronco; joelhos e espinha; joelhos e peito; joelhos e ombros; joelhos e cabeça. Isso é unificação de todo o corpo. É a totalidade dos joelhos. Joelhos em sua totalidade e o todo fica joelhificado. Esta é a linguagem que eu uso. A pélvisificação de todo o corpo, totalização da pélvis. Ou falando do pé, a pesirifização de todo o corpo, ou a totalização do pé. Me seguem? Aprende a conetar o cérebro com o pé; a cabeça com o pé; olhos com o pé; orelhas com o pé; tronco com o pé; pernas com o pé; as mãos com o pé. Isso é Yoga, aprendendo a conetar o que chamdo de conetividade. Essa conetividade precisa de ser ensinada os estudantes. Aprendam a conetar partes similares, bem como as que não são parecidas. Isto pode ser aprendido muito bem através das posturas em pé, em diferentes sequências. Muitos dos professores de Iyengar Yoga, iniciam as aulas com posturas em pé, isso é comum. Agora eles não vão ensinar as diferentes perspetivas ao estudante. Todas as classes iniciam com posturas em pé, eles não vão entender os vários aspetos de Trikonasana, se eles fazem a mesma coisa sempre. Eu, algumas vezes, ensino poses em pé, depois de Sarvangasana. Isso é chamado de posturas quietas em pé. Porque é que as posturas em pé, sempre precisam de ser dinâmicas? Porque não posturas em pé meditativas? Porque não posturas em pé flexíveis? Então se você pega posturas em pé, depois de Sarvangasana, então o estudante sénior vai conseguir refletir, compreender a profundidade da postura em pé. É uma diferença capital. Você não pode ensinar iniciantes desta forma, mas numa hierarquia superior, quando o corpo já tem liberdade, quando a mente tem liberdade e a postura já é sabida, deixe fazê-los depois de Sarvangasana. Eu repito: uma classe de iniciantes deve começar com posturas em pé , mas os séniores podem provar as diferentes químicas do Trikonasana. Esta é a hierarquia na prática dos Ásanas. E assim foi dito para Rita Keller e Natalie Blondell. E é o fim desta parte e desta matéria.