O significado da dor no ásana

Em algum momento da prática de Yoga a dor aparece, mas não há apenas um tipo de dor. Em seu livro Luz na Vida, B. K. S. Iyengar diferencia a “dor correta” da “dor errada”. Abaixo segue este trecho do livro e uma história em que Iyengar fala sobre como ajudar um aluno com “dor errada”.

O significado da dor no ásana

“Dor correta não é somente construtiva, mas é também emocionante e envolve desafio, enquanto que a dor errada é destrutiva e causa sofrimento intenso. A dor correta é para o nosso crescimento e para a nossa transformação física e espiritual. A dor correta é geralmente sentida como alongamento e fortalecimento graduais e precisa ser diferenciada de uma dor errada, que frequentemente traz o sentimento de cautela de forma acentuada e repentina, que o nosso corpo usa para nos dizer que estamos indo longe de mais das nossas habilidades no momento”. Luz na Vida

Uma história de quando Guruji estava com 93 anos

Ele estava ajudando um idoso que nas aulas terapêuticas estava se queixando de dor ruim nas costas. Ele ficou próximo ao homem e modificou sua maneira de ficar em pé, de sentar e de deitar, de forma que ele pôde dar ao paciente algum alívio. Guruji estava ajustando o homem em uma postura supinada com diferentes “props” por um tempo para que o idoso pudesse encontrar facilidade na respiração. O professor estava neste momento usando suas próprias mãos, pernas e costas para encontrar a posição desejada. Uma testemunha disso tudo foi Abhi (sua neta) com estava com as mãos entrelaçadas atrás das costas. “Abhi, vocês nunca podem ajudar alguém…”, ele disse depois de muitas tentativas de ajudar o idoso e finalmente satisfeito. Abhi estava confusa com o que seu avô quis dizer. “Todos vocês estão com medo do toque”, ele disse passando um olhar de verificação no idoso novamente. “Sem tocar como você pode entender a dor de alguém? Venha aqui. Veja”. 20150629_workshop-iyengar-yoga-ombros-12 Ele a puxou em direção ao idoso e a fez tocar o peito dele. Assim que o paciente saiu da postura, Guruji disse, “toque suas costas. Quanto agitada estava antes. Estava irritada. Veja agora como está. Você pode perceber esta transformação?”. Princípios morais e éticos começam aqui. Abhi, que tinha um conceito fixo de sensibilidade, estava neste momento tentando entender o que seu avô dizia. A face do estudante, que estava enrugado com a aflição, agora mostrava alguns sinais de alívio. O ritmo de sua respiração melhorou. Guruji manteve suas mãos nos olhos do paciente e disse suavemente, “relaxe”. No minuto em que você toca o paciente, você pode sentir as vibrações do seu corpo. Neste momento você tem que deixar o seu corpo e entrar no corpo do estudante. Nada místico. Estas palavras não são minhas. Patanjali disse, “bandhakarana shaithilyat pracharasamvedanachha chittasya parashareeraveshah”. Sempre de forma muito gentil, Guruji elevou a cabeça do paciente e colocou uma manta que ele meticulosamente havia dobrado, e o homem mostrou sinais de alívio novamente. Uma longa exalação. “Você deve entrar no corpo do estudante e entender o que está acontecendo com ele. Onde está a dor? Porque a dor está ali – você precisa traçar o problema através de si. Você precisa sentir aquela dor e então descobrir como resolver o problema. Só assim você encontrará uma clara solução para o problema. Mantendo as mãos atrás das costas, você nunca será capaz de ajudar ninguém.”