Como quatro mulheres poderosas mudaram o destino do yoga

Anna Dubrovsky

O Yoga como o praticamos hoje não seria possível sem a visão e a determinação destas quatro mulheres. Elas desafiaram o preconceito de que o yoga era uma prática inescrutável, apenas para o sexo masculino, e alteraram para sempre a paisagem do yoga para todos nós. Não há muito tempo atrás, yoga era uma prática esotérica, praticamente desconhecida nos Estados Unidos e nos outros países ocidentais. Um poderoso veículo para a iluminação. Para os homens … na Índia. Passando rápido para meados do século 20: o yoga agora é global, de primeiro time, decididamente coeducacional (educação conjunta para pessoas dos dois sexos). Poucas pessoas tiveram tanto a ver com essa revolução como as quatro mulheres apresentadas nestas páginas. Encarregadas por seus professores reverenciados na Índia de espalhar a palavra do yoga amplamente, pelos quatro quantos do mundo, elas relutantemente concordaram com essa missão, no início. Mas então uma coisa curiosa aconteceu. A partir de certo momento, cada uma delas desenvolveu sua própria maneira de ensinar, criando práticas acessíveis a todos os tipos de pessoas, não importando suas limitações. E todas elas ensinaram-nos, a todos nós, homens e mulheres, jovens e velhos, o que significa estar plenamente vivo e realmente em casa dentro de nossos corpos. Nós nos curvamos a elas aqui por abrirem amplamente e com felicidade, as portas do yoga, atravessando-as.

Primeira-dama do Yoga.

INDRA-DEVI

INDRA DEVI

Indra Devi se mudou para a Califórnia da China, em 1947. Seus amigos insistiram que ela nomeasse seus ensinamentos de qualquer coisa, menos de “yoga”. Afinal, eram pelo menos 10 anos antes de Richard Hittleman introduzir yoga na televisão e duas décadas antes de BKS Iyengar escrever Light on Yoga. Os norte-americanos do pós-guerra não iriam se matricular em yoga. O importante era comer e se aquecer. Mas Indra Devi permaneceu indetível. A letoniana itinerante se sentiu em casa no desconhecido território. Ela iria quebrar o centenário teto de vidro ao se tornar a primeira mulher – e ocidental – a estudar com o mestre de Yoga indiano T. Krishnamacharya, a abrir uma escola de yoga na China, e depois retornar à Índia para ensinar yoga aos indianos antes de fazer o seu caminho até a América. Não demorou muito tempo para encontrar um grupo de fãs aqui e não doeu o fato de que alguns de seus primeiros fãs estavam entre as celebridades. “Muitas pessoas parecem ter tomado o estudo da yoga, simplesmente porque Gloria Swanson, Greta Garbo, Jennifer Jones, Marilyn Monroe, Olivia de Havilland, Mala Powers, Robert Ryan, e também a mundialmente famosa esteticista Elizabeth Arden terem se tornado devotos “, ela observou em seu best-seller de 1959, ‘Yoga para os Americanos’. Indra Devi construiu um ideal, apesar de improvável, representativo para o yoga, em parte porque ela não era um homen indiano. Nascida Eugenie Peterson, filha de uma nobre russa e de um diretor de banco sueco, ela era em cada detalhe, uma ocidental sofisticada, que viajava confortavelmente pelo mundo e se relacionava com empresários da imprensa e com a alta sociedade. E, no entanto ela nunca foi severa ou cerimoniosa, e seu calor e raciocínio rápido a tornavam querida de todos que entravam em contato com ela. Ela atraiu e recepcionou os alunos, independentemente de sua motivação: emagrecer ou se auto-realizar. O interesse pessoal de Devi pela espiritualidade oriental começou na adolescência, quando ela conheceu os escritos do poeta bengali Rabindranath Tagore, e com o filósofo e ocultista americano que escreveu sob o pseudônimo de Yogi Ramacharaka. In 1926, a atriz e dançarina de 27 anos participou de um encontro da Sociedade Teosófica, na Holanda, onde ficou encantada com Jiddu Krishnamurti. No ano seguinte, ela partiu para a Índia, seguindo o renomado professor espiritual de cidade em cidade. Por 12 anos, ela fez da Índia a sua casa, se casou com um diplomata da Tchecoslováquia, estrelando em um filme indiano (o nome artístico de Indra Devi mais tarde tornou-se seu nome legal), estando ombro a ombro com notáveis ​​como Mahatma Gandhi, Jawaharlal Nehru, e Rabindranath Tagore, cujos escritos despertaram em primeira-mão seu caso de amor com o país. Ajudou ter amigos influentes; quando Krishnamacharya se recusou a aceitar uma mulher como sua aluna, em 1937, seu patrono real interveio em nome de Indra Devi. Num outro momento, quando acompanhava o marido diplomata em Xangai em 1939, Krishnamacharya se mostrou entusiasmado com sua aluna de sari, insistindo que ela ensinasse yoga. E assim ela o fez pelo resto de sua vida notavelmente longa. Devi morreu pouco antes do seu aniversário de 103 em Buenos Aires, Argentina, sua casa desde 1985. O estilo de ensino de Devi tinha pouca semelhança com o de Iyengar ou com o Ashtanga Yoga do maestro K. Pattabhi Jois, que também estudou com Krishnamacharya em 1930. Isso pode ter sido porque Krishnamacharya foi gentil com ela, ou talvez Devi reconheceu que a disciplina rigorosa e a obediência cega não combinavam com a maioria dos ocidentais. Ela certamente reconheceu a diferença no estilo de vida entre ocidentais e indianos. “Eu tenho levado em conta não só o ritmo a que a vida nos Estados Unidos é voltada, mas também o fato de que a maioria de vocês não teve a chance de manter seus músculos ágeis e as articulações flexíveis”, escreveu ela em “Yoga para os Americanos.” Devi trouxe a perspectiva de uma mulher que tinha sido um ‘cidadão do mundo’. Ela também trouxe seu passado como dançarina, seu profundo respeito pelos ensinamentos não sectários de Krishnamurti, e, no último terço de sua vida, sua devoção a Sathya Sai Baba, o santo de cabelos emaranhados que pregava “Ver com os olhos do amor, ouvir com os ouvidos do amor, o trabalho com as mãos do amor.” Sua Saiyoga não era o fluxo de vinyasa que ela aprendeu com Krishnamacharya. Ela ainda usava a respiração para se mover dentro e entre as posturas, mas a sua marca característica era muito mais a devoção e a gentileza. Enquanto discípulos de Iyengar e Jois se referem a seus professores como Guruji, os de Devi chamam-na de Mataji, um termo carinhoso e reverente para a mãe. E, como a melhor das mães, ela ensinou-lhes sobre o amor incondicional. “Não é só asanas que ela tentou nos ensinar”, diz David Lifar, diretor da Fundação Indra Devi, em Buenos Aires. “O objetivo de Mataji – a coisa mais importante da sua doutrina, era dar amor a todos.”

Lançando Moda

No Yoga para os americanos, Devi discorre sobre vários assuntos: de asanas, aos perigos de colchões macios. O capítulo sobre dieta inclui receitas e menus – e um sabor de seu humor. “Os indianos alegam que as pessoas que sofrem de artrite devem sempre colocar batata crua cortada com casca sobre a pele”, escreveu ela. “Eu mesma vi uma mulher, que já quase não conseguia mover os dedos, abrir e fechar os punhos uma semana depois que ela começou a brincar com uma batata …. Como não há risco algum simplesmente por se segurar uma batata, e uma vez que você pode até lançar uma nova moda, colocando uma batata ao redor do pescoço como um medalhão, você poderia seguramente tentar essa experiência …. E deixe-me saber os resultados. ”

A Emissária Espiritual

  SWAMI-SIVANANDA-RADHA

SWAMI SIVANANDA RADHA

Apenas dois meses depois de sua estadia na Índia, a guru de Sylvia Hellman fez um pedido inesperado. “Iniciar um ashram ou escola [no Canadá] para os ensinamentos divinos de yoga e Vedanta”. Era uma ordem desafiadora. O ano era 1955, e praticamente ninguém tinha ouvido falar de yoga na América do Norte. Além disso, Hellman não tinha ido à Índia para se tornar uma pioneira espiritual. Ela tinha ido ver Swami Sivananda Saraswati, na esperança de ter uma visão sobre o significado da vida, a qual ela tinha um bom motivo para questionar. Nascida em Berlim em 1911, ela testemunhou duas guerras mundiais e perdeu dois maridos: o primeiro morto pela Gestapo ao ajudar amigos judeus a deixarem a Alemanha e o segundo, vítima de um derrame. Quando ele lhe pediu para iniciar um ashram, Hellman tentou argumentar com o antigo médico. Ela comentou que nem sabia sânscrito ou Vedanta; não tinha estudado o Bhagavad Gita. “Seria um cego guiando outro cego”, ela insistiu. Três meses mais tarde, Swami Sivananda lhe disse: “Quando você voltar para o Ocidente, não trabalhe mais por dinheiro”. “Deus vai cuidar de você”. Hellman, que narrou a sua estadia de seis meses em ‘Radha: Diário de Pesquisa de uma mulher’, não tinha tanta certeza “A América e o Canadá são muito dependentes de dinheiro”, disse ela, “ninguém iria entender se eu começasse a viver de esmolas”. Mas Swami Sivananda não se deixou influenciar. ” Você não pode dizer às pessoas para viver na fé em Deus, se você não o faz. ” Hellman concluiu aquele dia em seu diário com uma pergunta de pânico: “Como posso ter a esperança de sair dessa coisa toda?” Mas ela não o fez. Em vez de encolher a partir do direcionamento formidável de ​​seu guru, ela mergulhou ali mesmo. Em poucoas semanas, depois de retornar a Montreal, a sannyasini recém-iniciada foi à TV dar aulas de yoga, palestras sobre a filosofia do yoga, e discutir suas experiências na Índia. No ano seguinte, mudou-se para Vancouver, abriu a primeira livraria de metafísica da cidade, e fundou o primeiro ashram canadense. Em 1963, o ashram se mudou para sua atual localização, às margens do Lago Kootenay no sudeste da Columbia Britânica e se chama Yasodhara, um nome que se divide nos nomes da esposa de Buddha e da mãe de Krishna. Swami Sivananda Radha, como Hellman foi conhecido após os votos de renúncia, escreveu mais de uma dúzia de livros, criou uma editora, a Timeless Books; lançou uma revista trimestral que se tornaria a revista internacional de yoga ascendente, e abriu uma rede de centros urbanos de yoga. Nos primeiros anos, a maioria dos discípulos de Swami Radha eram homens. “Nós nos chamamos Branca de Neve e os sete anões”, disse ela à Yoga Journal em 1981. Com o tempo, mais e mais mulheres encontraram seu caminho até o Yasodhara, desenhado por cursos como “Mulheres e Vida Espiritual” e pela força de caráter de Swami Radha. Hoje, elas superam os homens. Dois anos antes de morrer, em 1995, Swami Radha nomeou uma mulher, Swami Radhananda, como sua sucessora espiritual e decretou que uma mulher deve sempre permanecer atrás do volante espiritual do Yasodhara. “Houve outras líderes mulheres muito fortes, mas elas necessariamente não passaram sua linhagem para as mulheres”, diz Swami Lalitananda, que viveu e estudou com Swami Radha por mais de 20 anos. “Ela realmente queria que as mulheres reconhecessem seu potencial de liderança como líderes espirituais”. Embora inspirada por seu guru e formada por seu intenso treinamento na Índia, Swami Radha adaptou seus ensinamentos para os ocidentais. “Ela entendeu como a mente ocidental funcionava”, diz Swami Lalitananda. “Nós questionamos. E não apenas aceitamos as coisas. Em nossa cultura, não somos treinados para curvar-nos aos pés de nossos professores. Ela era mais prática. “Em vez de se concentrar em filosofias abstratas, ela guiou as pessoas para uma melhor compreensão de si mesmas e uma apreciação da sua força pessoal”. “A principal coisa que eu tento fazer é trazer meus alunos a terem qualidade em suas vidas”, disse ela ao Hinduism Today em 1988. “Para mim, as pessoas não são espirituais, se esta qualidade não está lá em suas vidas, mesmo que meditem seis horas por dia.” Cursos e retiros no Yasodhara combinam práticas encontradas em textos antigos de yoga – o Hari Om mantra, por exemplo – com os encontrados em livros de psicologia moderna, particularmente análises de diários e de sonhos. E depois há práticas encontradas em nenhum outro lugar, como a Invocação da Divina Luz, uma meditação em pé que Swami Radha aprendeu durante uma experiência visionária na Índia. “Muitas mulheres que vieram e ajudaram. Elas ficaram e aprenderam muito sobre si mesmas e sobre seus pontos fortes. O ashram ainda corre sobre os próprios ideais que Swami Radha queria “, diz Swami Radhananda. “É como se ela ainda estivesse aqui.”

Hatha Yoga, linguagem escondida

Pouco antes de Swami Radha ter deixado a Índia, seu guru lhe entregou uma danada de uma atribuição, Swami Lalitananda lembra. Ele disse, “Agora eu quero que você descubra os níveis espirituais e místicos dos asanas e os reporte a mim.” Ela disse,” Gurudev, eu nem sei mesmo do que você está falando. Você tem que me dar um exemplo”. E ele deu-lhe o exemplo do sirsasana, Swami Lalitananda diz. Ele disse: “Quando você entra em sirsasana, você torna o seu mundo de cabeça para baixo. Então, o que aconteceria se seu mundo virasse de cabeça para baixo? Você vê o mundo de uma maneira completamente diferente. Além disso, a partir dessa perspectiva, você não pode ir a qualquer lugar. Você não pode ir embora. Assim, nesta posição, é como se você estivesse fazendo um compromisso. E os seus pés, que geralmente estão aterrados na terra, agora estão aterrados no céu.” Swami Radha tirou daí, desenvolvendo um estilo suave e meditativo da prática chamada Hatha Yoga Idioma Escondido. Ela convidava os alunos a escolher um asana e pedia-lhes para notar o queo nome do asana evoca. Como eles se sentem à medida que se movem na postura; o que a postura revela sobre suas vidas? Uma torção, por exemplo, pode tornar-se uma metáfora para uma reviravolta na vida de uma pessoa, ou outra coisa, a maneira como a mente das pessoas distorce as coisas. Os estudantes anotavam as suas observações e compartilhavam-nas no final da aula. “As experiências das pessoas vêm à tona, e eles entendem algo sobre si de uma forma diferente”, Swami Lalitananda fala da prática que ela usa ainda hoje. “É como desvendar os segredos de sua vida que estão presos no corpo”.

Na TV

  LILIAS-FOLAN

LILIAS FOLAN

Durante um passeio pela Índia na década de 1970, Lilias Folan iniciou uma conversa com um monge Ramakrishna. “Você sabe,” A professora de yoga natural de Cincinnati escutou, ” o yoga foi longe na Índia,o tanto quanto pode. Cabe a você, agora, nos Estados Unidos, fazê-lo rolar como uma bola de futebol. ” A observação confundiu Folan, mas várias décadas depois, parece que o monge tinha razão. Professores de yoga no Ocidente, e em particular nos Estados Unidos, colocaram sua marca na antiga disciplina indiana, espalhando-na por toda parte, gerando uma indústria de bilhões de dólares no processo. Poucos fizeram mais para popularizar a prática do que Folan, cuja série ‘Lilias, Yoga e Você’, em um canal público, em 1970, trouxe o yoga para as salas de estar em todo o país. Um punhado de estações ainda acompanham a sequência da série, ‘Lilias! O Yoga melhora com a idade’, produzido nos anos 80 e início dos 90. Embora Folan tenha alcançado milhões, ela dava a impressão de ensinar individualmente. Lilias teve capacidade e talento para ser capaz de falar com a câmera como se fosse um indivíduo; “quem assistia à televisão realmente sentia que Lilias estava conversando somente com essa pessoa “, diz Jack Domingos, gerente do canal CET em Cincinnati, que produziu duas séries. “As pessoas achavam que a conheciam pessoalmente, como uma amiga, como uma confidente, como uma conselheira.” Ele a coloca ao lado do anfitrião Fred Rogers, da TV infantil e do lendário jornalista Walter Cronkite. Um artigo da revista Time, em 1974 sobre o crescente interesse pela yoga (“Na lista telefônica de Manhattan constam 27 centros de instrução de ioga,” o escritor ficou maravilhado) comparou-a à adorada chef de cozinha, autora, e personalidade da TV, Julia Child, e a comparação ficou. Aos 76 anos, ela ainda recebe cartas de fãs. “Você ainda faz parte da minha vida”, um homem de 62 anos de idade,de Michigan, escreveu, em julho. “Suas instruções eram e são, sempre as mais fáceis de entender, e as lições são as mais valiosas para mim.” Para Folan, cujos primeiros professores tiveram uma abordagem padronizada, o conforto e a segurança de seus alunos foi o principal. E porque ela estava na posição incomum de ensinar para as pessoas que não podiam vê-la – sem poder avaliar suas habilidades, sem poder oferecer-lhes correções – ela teve de ser clara, detalhista e acomodante para todos os tipos ​​de corpos: homem ou mulher, 18 ou 80 anos, rígidos ou flexíveis, fortes ou sensíveis à dor. “Eu fiz 500 aulas de yoga na televisão, e eu não acho que até hoje eu tenha recebido uma carta que dizia: ‘Eu me machuquei por assistir ao seu programa de televisão’”, diz ela. No começo, nem todas as cartas eram lisonjeiras. “Eu me lembro de receber cartas assinadas pelo coro da igreja dizendo que o yoga é obra do diabo e não pertence à televisão pública. Havia muito preconceito sobre o que o yoga era e o que não era”, diz ela. “Eu estava determinada a torná-lo uma coisa normal, utilizável, podia ser para a jovem mãe que não dorme bem, para o atleta de flexibilidade, o yoga seria americanizado e ainda assim manter o seu coração.” Folan era ela própria uma jovem mãe quando e se voltou para o yoga em meados dos anos 60. Não dormir bem não foi o pior dos seus problemas. Sua costa a incomodavam e ela se cansava facilmente. Fumava meio maço de cigarros por dia; tinha um bom marido, dois filhos, uma casa com uma cerca branca, e até mesmo um barco, mas ela não podia escapar do que ela descreve como uma “nuvem de melancolia”. Ela procurou seu médico, na esperança de “resolver tudo com comprimidos “, mas ao invés disso ele prescreveu exercícios. “Você está sofrendo de um caso de blás”, concluiu. Em pouco tempo, Folan estava frequentando aulas de yoga na ACM perto de sua casa em Connecticut; e também frequentou ashrams em Nova York, onde conheceu notáveis ​​como Swami Satchidananda, fundador do Yoga Integral; Swami Vishnudevananda, fundador do Internacional Sivananda Yoga Vedanta Centres e Swami Chidananda da Sociedade Vida Divina. “Naquela época, a Índia estava vindo para Nova York”, diz ela. “Havia todos os tipos de seres-swamis maravilhosos e eu poderia sentar e ouvir seus discursos.” Ela manteve os blás à distância. Folan resistiu a mudar-se para Cincinnati por causa do trabalho de seu marido. “Mas a verdade da questão é que, quando me mudei para Cincinnati, algumas coisas realmente emocionantes começaram a acontecer na minha vida.” Mais notavelmente, ela foi descoberta pela esposa de um produtor da CET (canal de televisão) ao ensinar yoga em uma cafeteria da escola. O resto, como dizem, é história. Folan ainda está ensinando yoga, embora ela tenha tomado cuidado para não se extrapolar. Está focando em seu marido de 53 anos, seus filhos crescidos, e seus sete netos. No início deste ano, ela foi diagnosticada com câncer em estágio inicial de mama e teve que se afastar de sua prática de asanas enquanto se recuperava da cirurgia e da quimioterapia.Foi um lembrete de que, tanto quanto o yoga tem mudado – da maneiro como as posturas são ensinadas à forma como os praticantes se vestem – sua esência permanece a mesma. “Não é sobre o Adho Mukha Svanasana (postura do cachorro de cabeça para baixo), diz Folan. “Essa é a camada externa de você e de mim. Trata-se de responder a pergunta: Quem sou eu? Quem sou eu realmente? ”

Sopro de ressurreição

Hoje em dia, Lilias começa e termina a maioria das aulas com uma prática que ela aprendeu com Goswami Kriyananda do Templo de Chicago de Kriya Yoga. A prática é conhecida como sopro de ressurreição, que ajuda os praticantes a se concentrarem no presente. Para começar, sente-se confortavelmente. Desenhe uma linha imaginária através do centro de seu corpo, através de sua testa, queixo, coração e umbigo. A área sobre o seu ombro esquerdo simboliza morrer para o passado, e a área sobre o ombro direito simboliza deixar o futuro ir. Vire a cabeça confortavelmente para a esquerda, e sopre suavemente sobre o ombro esquerdo, algumas vezes, como se soprasse uma vela, mentalmente deixando o passado ir. Com uma inalação, leve a cabeça para trás e para o centro, sentindo o momento, e em seguida, vire a cabeça para a direita. Sopre suavemente sobre o ombro direito algumas vezes, e imagine que você está deixando o futuro ir-se. “Em seguida, volte-se para o centro, mais uma vez, o centro do coração, o agora, o momento presente”, diz Folan. “Inspirando, deixe os cantos dos lábios transformarem-se um pouco, o sorriso do centro do seu coração, e, ao expirar, diga: ‘Obrigado, obrigado, obrigado. Sou muito grato por este momento agora.”

A Outra Iyengar

  GEETA-IYENGAR

GEETA IYENGAR

Quando Geeta Iyengar (conhecida como Geetaji) começou a lecionar na década de 1960, poucos indianos sentiam que as mulheres deviam praticar yoga, muito menos ensiná-lo aos outros. Ela passava muito tempo respondendo a perguntas como: “Praticar a invertida sobre a cabeça impede a mulher de engravidar?” Geeta era uma mera adolescente naquela época, mas suas palavras já tinham muito peso. Ela é, afinal, a filha mais velha de B.K.S. Iyengar, hoje em dia com fortes 94 anos, que ensinou à realeza indiana, políticos e celebridades, assim como personalidades internacionais como o mestre do violino Yehudi Menuhin e o filósofo Jiddu Krishnamurti. Geeta Iyengar não é um nome de mãe de família, e ela não o teria de outra maneira. Desde 1973, quando sua mãe morreu, ela foi a mulher por trás do homem. Ela cozinhou refeições para seu pai, editou seus manuscritos, e dirigiu o Ramamani Iyengar Yoga Memorial Institute, em Pune, na Índia, o centro nervoso do Iyengar Yoga. Ela evita elogios e reconhecimentos, redirecionando-os para Guruji, seu meio-pai, meio-guru. Mas ela tem sido uma mestra de yoga com seu próprio mérito. Numa época em que o número de mulheres supera o dos homens na maioria das aulas de yoga, ela é sem dúvida a principal autoridade do yoga para as mulheres. O treinamento de yoga de Geeta Iyengar começou praticamente no nascimento. “O yoga sempre esteve em torno de mim”, ela disse a um entrevistador em 1995. “Eu me lembro muito bem como eu costumava imitar Guruji, enquanto ele estava praticando. Guruji costumava me dobrar e torcer, em seus pés quando ele fazia sirsasana (apoio sobre a cabeça) e sarvangasana (invertida sobre os ombros).” Mas sua infância foi longe de idílica. Como seu pai, ela era uma criança doente, suportando tudo, de resfriados e dores de estômago à febre tifóide e difteria. Aos 10 anos, ela foi diagnosticada com nefrite, uma inflamação potencialmente mortal dos rins. Depois que uma crise a deixou inconsciente por quatro dias, o pai colocou a lista de medicamentos de lado e disse com firmeza: “A partir de amanhã em diante, não mais medicamentos. Ou você começa a praticar yoga ou se prepare para morrer “, lembra ela em seu livro seminal, ‘Yoga: uma jóia para as Mulheres.’ Aos 15, ela estava ensinando yoga para colegas da escola. Dois anos mais tarde, alguns dos alunos de seu pai perguntaram se ela poderia ensiná-los enquanto ele estava fora, na Inglaterra, e o mestre consentiu. Ela nunca olhou para trás, dedicando meio século de apoio e promovendo seu trabalho, primeiro como aprendiz e depois como sua sucessora, Diretora do Instituto, juntamente com seu irmão, Prashant. Os três Iyengars são notoriamente bravos. Eles repreendem, e eles gritam. É uma característica que é facilmente mal interpretada, diz Patricia Walden, professora de Iyengar yoga sênior que estuda com eles desde meados dos anos 70. “Algumas pessoas se confundem. Eles não imaginam que alguém poderia estar gritando e gritando com você, mas eles estão fazendo isso porque eles realmente se importam que você entenda o material, ou que você não se machuque, então eles querem ajudá-lo a estar bem. ” Eles também são conhecidos por uma espécie de “ver tudo ao mesmo tempo”, uma capacidade de detectar estudantes com dificuldades em uma classe de centenas, de pegar você no momento em que sua atenção se desvia, que é o: chamar você para suas coisas, diz Walden. “Estudar com eles é como estar nu. Você não pode se esconder. ” Geetaji tem se destacado pela especialidade em necessidades específicas das mulheres. Publicado pela primeira vez em 1983, ‘Yoga: uma jóia para as Mulheres’ é uma referência enciclopédica sobre asana e pranayama para diferentes fases da vida de uma mulher. Seu último livro, Iyengar Yoga para a Maternidade: Prática Segura para gestantes e Novas mães, que ela co-escreveu, aborda tudo, desde problemas de fertilidade aos ensinamentos de flacidez pós-parto. Seus ensinamentos sobre como as mulheres devem ajustar sua prática ao longo do ciclo menstrual inspirou pelo menos dois livros. Embora ela nunca tenha se casado – nunca se interessou, ela explica – ela está em sintonia com as lutas das mulheres na conciliação entre a vida familiar e outros chamados. Na verdade, a matriarca da família Iyengar admitiu o descuido com sua prática pessoal de yoga. “As exigências sobre mim tornaram impossível ser completamente normal”, ela disse uma vez. “Para os homens é diferente. Eles podem ser rigorosos com o seu programa … porque há alguém apoiando-os. ” Seu maior presente para as mulheres pode ser o exemplo que ela passa. “Porque ela é uma mulher poderosa, uma mulher forte, ela tem muitos poderes”, diz Walden. “Ela encara qualquer pessoa. Ela fala o que sente. Ela permanece em sua verdade, e não é que todos nós queremos ter modelos como esse? ” nunca é tarde demais O Yoga é um presente para a velhice. Aquele que adota o yoga em sua velhice ganha não somente saúde e felicidade, mas também uma mente fresca, desde que o yoga dá uma perspectiva brilhante da vida, e pode-se olhar para a frente para um futuro mais feliz ao invés de olhar para o passado, que já entrou em trevas. A solidão e o nervosismo, que criam tristeza e dor, são destruídos pelo yoga quando uma nova vida começa. Por isso, nunca é tarde para começar. Yoga, se iniciado na velhice, é um renascimento que ensina a enfrentar a morte com alegria, paz e coragem.

Portanto, ninguém está isento de praticar yoga e não há desculpas para não o fazer. Quão til o yoga é, só se compreende, praticando. —Do Yoga: A Gem for Women by Geeta Iyengar (Timeless Books, 1990)

Publicado originalmente em: http://www.yoga-international.org/article/In_Loving_Gratitude/1213713/131242/article.html