A Árvore do Yoga

A árvore do Yoga é um livro que apresenta uma visão geral do Yoga, esta visão geral do Yoga não deixa de ser profunda, trazendo muita luz ao sadhana do yoguin ou da yoguini. O Yoga que estudamos é basicamente o yoga decodificado por Patanjali, que faz parte de um grupo de escolas de pensamento da cultura Hindu (falaremos sobre elas logo), este yoga erroneamente chamado de raja yoga, também é conhecido como Kriya Yoga de Patanjali e Ashtanga Yoga. O texto que fundamenta os ensinamentos desta escola de pensamento é o Yoga Sutra, que data muito provavelmente de um período do séc. II A.C.. e séc. IV D.C., o período que surgiu este texto pode variar de acordo com alguns historiadores. O Y.S. é texto composto por quatro capítulos, que são chamados “padas = pés” e cerca de 195 a 196 aforismos, podendo variar de acordo com o autor.

Os quatro capítulos abordam temas diferentes porem inter-relacionados:

Samadhi Pada: capitulo da absorção; Sadhana Pada: capitulo da pratica; Vibhuti Pada: capitulo dos poderes; Kaivalya : capitulo da emancipação perfeita; O estudo do Yoga Sutra auxilia o Sadhaka (praticante) no seu caminho do Yoga. Ao ler textos sobre Yoga, encontramos muitos comentários ou mesmo referencias ao Ashtanga Yoga (Astha= oito, anga= partes ou membros, Yoga= união, uso, aplicação…). O ashtanga yoga é exposto no Yoga Sutra do II. 28 ao III.3, porem é importante nos focarmos nos sutras expostos do II.28 ao II.55 que falam sobre as praticas externas (BahirAnga sadhana).

O Ashtanga Yoga é composto por:

  • Yamas (ahimsa, satya, asteya, bramacharya e aparigraha)
  • Niyamas (saucha, santosha, tapas, svadhyaya e isvara pranidhana)
  • Asanas
  • Pranayama
  • Pratyahara
  • Dharana
  • Dhyana
  • Samadhi
As cinco primeiras praticas são consideradas práticas externas (bahiranga) e as três ultimas praticas internas (antaranga). Guruji apresenta o Yoga como uma arvore, a semente seria a alma, a raiz da árvore seria Yama (ahimsa= não violência), (satya= veracidade), (asteya= abstenção da avareza), (bramacharya= controle do prazer sensorial) e (aparigraha= livrar-se da ambição e do desejo de possuir mais do que o necessário), yamas dita à relação do ser com o meio externo, isso significa gerar disciplina nos Karmendryas (órgãos da ação-braços, pernas, boca, órgãos reprodutores e excretores). Tronco comparável aos princípios de Niyama, saucha (higiene), santosha (contentamento), tapas (calor), svadhyaya (auto-estudo) e isvara pranidhana (entrega ao senhor), estes cinco princípios controlam os Jnanendryas (órgãos da percepção-olhos, ouvidos, nariz, língua e pele). Do tronco nascem vários galhos representados pelos diferentes tipos de asanas. Dos galhos nascem as folhas que se corresponderiam com os pranayamas. A casca como protege os galhos representa pratyahara (recolhimento dos sentidos). A seiva que se encontra no interior do ser (da arvore) representa dharana (concentração). A flor que nasce de uma arvore saudável representa Dhyana (meditação) e seu fruto Samadhi (absorção). O Yoga sutra nos mostra que no caminho do Yoga, dharana, dhyana e samadhi são os frutos que conquistamos por manter a arvore saudável com a sadhana. Muitas pessoas ainda comentam que a pratica de Iyengar não é tradicional, mas a pratica tem um embasamento, não é uma invenção, pelo contrario vejo que a prática auxilia muito os praticantes a conquistarem uma mente sattvica, pura. O resto é conseqüência de uma vivencia experimentada somente através da sadhana. Bibliografia: IYENGAR, B.K.S. Luz sobre los Yoga sutras de Patanjali. ed. Kairos, 2009. IYENGAR, B.K.S. A árvore do Ioga, Ed. Globo, 2007. FEURSTEIN, G. A tradição do Yoga, Ed. Pensamento, 1998. Harih Om. Leo.